Investir em aumento de produção num momento em que as demais petrolíferas se retraem é um dos apelos das ações da Petrobras para o aplicador que mira o longo prazo, segundo gestores e analistas. Não à toa, o megainvestidor George Soros aumentou sua fatia em papéis da companhia no fim do ano passado nas carteiras da Soros Fund Management. Apesar de algumas contas da demonstração financeira da estatal terem deixado a desejar no quarto trimestre, a percepção é de que quando o quadro de demanda global começar a se normalizar, a Petrobras é que estará melhor posicionada.
"O índice de exaustão nos poços de petróleo é muito alto, os atuais estão produzindo cada vez menos e nos últimos anos pouco se investiu em pesquisa, com exceção do pré-sal", diz o chefe da área de Renda Variável da Fundação Cesp, Paulo de Sá Pereira. "Quando a economia se recuperar pode ter estresse nos preços, a produção pode não acompanhar." As suas estimativas são de que as cotações internacionais do petróleo fiquem entre US$ 50 e US$ 60 nos próximos dois anos.
Apesar de o desaquecimento mundial reduzir o consumo de petróleo e combustíveis no curto prazo, no longo, os segmentos de atuação da Petrobras têm demanda crescente, acrescenta o analista Lucas Brendler, do Geração Futuro Banco de Investimentos. Tal análise é amparada pelo consumo do mercado doméstico e dos emergentes, além da perspectiva de retorno aos padrões de consumo pré-crise nos países desenvolvidos. Ele enxerga um cenário de preços mais equilibrados com importantes acréscimos de reservas, volumes de produção e vendas e de recuperação de margens.
Não é de hoje que as ações da Petrobras vêm sendo negociadas com prêmio em relação às suas concorrentes nos Estados Unidos e Europa, bem como na comparação com as petrolíferas de outros mercados emergentes como Rússia e China. Na visão dos analistas Christian Audi e Ana Browne do Santander, esse valor adicional deve prevalecer no futuro, considerando o plano estratégico da empresa para o período entre 2009 e 2013 e comparando-o com o da Exxon Mobil, por exemplo. O acesso a reservas, o crescimento da produção e a continuidade dos investimentos são alguns fatores que têm pesado a favor da estatal brasileira.
Outra vantagem em relação às demais petrolíferas é que a Petrobras tem os seus preços definidos no mercado interno, diz o analista Jayme Alves, da Spinelli Corretora. "Criticada quando o petróleo estava em alta por não reajustar os preços locais da gasolina e do diesel, agora a companhia leva a melhor nessa política, enquanto as internacionais repassam as baixas das cotações automaticamente", afirma. "A empresa ganha na área de distribuição e perde na de exploração, mas acaba compensando uma coisa com a outra."
Para 2009, entretanto, a previsão é de que a geração operacional de caixa (Ebitda) recue em função da queda do preço do petróleo e do menor crescimento, destaca o analista Luiz Otávio Broad, da Ágora. Ele estima que o lucro contábil também cairá em função do grande ganho obtido com a valorização do dólar e que veio refletido no resultado financeiro. Os investimentos neste ano devem somar R$ 60,3 bilhões, 13% acima de 2008, em linha com o novo plano estratégico. Para estratégias de longo prazo, o analista dá recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 31,30.
Adriana Cotias